09 outubro 2008

Você sabe o que é Procrastinação?

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É uma palavra feia né!

Pois é, eu sou uma procrastinadora e você também deve ser.

"Se você é daqueles que deixam tudo para a última hora e só trabalham em cima do laço, leia esta reportagem já. Agora. Imediatamente."
Assim que você ler esta reportagem da Superinteressante deste mês e não se identificar com ela, meus Parabéns, você conseguiu!




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NÃO PROCRASTINE!

Aí viu... Procrastinei até para produzir este post! Hahaha...

TEXTO EDUARDO FERNANDES DESIGN JORGE OLIVEIRA ILUSTRAÇÃO ESTÚDIO DEVERAS

Superinteressante - Edição 257-OUT/2008

DEPOIS EU FAÇO

Estudar ou ficar no MSN? Dar uma arrumada no quarto ou dormir mais 15 minutos? Talvez você não perceba, mas todo dia, a toda hora, temos que decidir o que fazer. Tirar o lixo para fora agora ou continuar vendo TV? Escrever de uma vez o trabalho final ou aproveitar o sol lá fora? Às vezes a decisão parece fácil, mas pode acabar em situações complicadas: dizer ao chefe que ainda não terminou o relatório ou inventar uma desculpa? Se na hora de decidir você costuma escolher a opção de deixar para depois, está entre os 95% das pessoas adeptas da procrastinação.

A palavra vem do latim procrastinar e, que é aunião do prefixo pró (encaminhar) e castinus (amanhã). Ou seja: enrolar. O Oxford Dictionary registra que ela teria sido publicada em inglês pela primeira vez por volta de 1548.0 Brasil mal havia nascido e o termo já estava disseminado pelo mundo. Imagine a prática. Em Roma, Cícero já criticava Marco António por gas­tar tempo em festas e deixar seu trabalho de imperador em segundo plano. Dizia: "In rebus gerendis tarditas et procrastina­do odiosa est". Algo como: "Na conduta de quase todo relacionamento, lerdeza e procrastinação são coisas odiosas".

Mas a procrastinação nunca foi tão pre­sente na vida das pessoas quanto depois da invenção do computador - essa má­quina de trabalho e estudo que também funciona como janela para o mundo e sala de bate-papo com os amigos. Os compu­tadores de boa parte das empresas são controlados por proxys e firewalls, apli­cativos que bloqueiam o acesso a deter­minados sites e ferramentas online. Em alguns ambientes de trabalho, até mesmo e-mails pessoais são proibidos, e há sis­temas de controle de acesso pelos quais os funcionários do departamento de tec­nologia podem saber exatamente como e quando você usa a internet. Isso se eles não estiverem ocupados respondendo mensagens no orkut ou MSN, é claro.

Procrastinação é bem diferente de pre­guiça. Enquanto preguiça é evitar traba­lho, a primeira é ter muita coisa pra fazer e deixá-la para a última hora. "A procras­tinação está relacionada a uma discre­pância entre a intenção de trabalhar e a ação real de trabalho", afirma Piers Steel, psicólogo da Universidade de Calgary, no Canadá, e autor de estudos sobre o assun­to. "Procrastinadores têm uma intenção maior de trabalhar, mas só no começo do processo." Imagine uma linha com dois extremos de produtividade. De um lado, Macunaíma, o acomodado personagem de Mário de Andrade, e de outro o hipe-rativo Leonardo da Vinci. Seria bem mais encontrar procrastinadores no lado do renascentista. Aliás, ele próprio tinha um considerável portfólio de projetos dei­xados para depois e é reconhecido como um dos grandes enroladores da história. Diferentemente dos preguiçosos, os pro­crastinadores são viciados na sensação de prazo estourando. Deixam tudo para a última hora porque gostam da adrena­lina da urgência. Como Rocky Balboa, só funcionam no último round.

Mas nem toda procrastinação acaba em vitória. Se os procrastinadores se defen­dem dizendo que curtem trabalhar sob pressão, os cientistas estão descobrindo que eles estão longe de se sentir felizes com esse hábito. Pesquisas indicam que 20% dos trabalhadores de escritório dos EUA sofrem patologicamente do problema. É o dobro do número de casos de depressão no mesmo ambiente. O psicólogo Piers Steel descobriu que a maioria dos enroladores convive mais com estresse, sentimento de culpa, baixa auto-estima e arrependimento por não terem trabalhado antes. O pro­blema também acontece na sala de aula. Segundo a psicóloga Patrícia Sommers, da Universidade do Texas, nos EUA, mais de 70% dos estudantes americanos deixam trabalho para depois - e 20% fazem isso de forma preocupante.

O sentimento de culpa aparece por­que, sem conseguir controlar o próprio tempo, os procrastinadores sentem que o dia passa sem que tenham produzido o mínimo necessário. Assim, criam um caos pessoal que acaba em sentimentos depreciativos. Há casos de gente que se en­divida por perder prazos de pagamentos, que fica desempregada ou passa por crises de auto-estima. Estudos da pesquisadora Fuschia Sirois vão ainda mais longe. Para ela, a procrastinação é um caso de saúde pública. Ela descobriu que aquele costume de deixar a ida ao médico para depois ou postergar a matrícula na academia causa problemas de saúde definitivos. Anali­sando 254 adultos, ela descobriu que os enroladores sofrem mais de estresse e até de resfriado. Pior: não verificam equipa­mentos de segurança em suas casas, auto­móveis e ambientes de trabalho, causando problemas para a família.

Por quê?

Se ela faz mal para a saúde e acaba com o nosso fim de semana, por que procrasti­namos? Aí entram várias hipóteses. O ato de adiar pode estar relacionado à exigên­cia de perfeição - pessoas perfeccionistas preferem tarefas desafiadoras às fáceis de realizar. "Não é à toa que os estudantes com mais capacidade procrastinam mais", diz a psicóloga Patrícia Sommers. Segun­do ela, entre uma série de variáveis que fa­vorecem a enrolação, o medo do fracasso é a líder da lista. "Aqueles que mais têm me­do de errar são os que mais procrastinam." Na hora de botar a mão na massa, acabam adiando a realização da tarefa por medo de errar. Também pode haver, na raiz da procrastinação, um pouco de auto-sabo-tagem. Se achando pouco merecedor dos benefícios que a tarefa poderia lhe render, o procrastinador inventa ou dá muito va­lor a obstáculos que o impedem de cair de cabeça no trabalho, acabando com a possibilidade de fazê-lo bem-feito.

Como não enrolar desde já

  1. APRENDA A DIZER NÃO Assumir um compromisso ou uma tarefa pretensiona, e deixar de cumpri-lo pode ser pior do que deixar suas limitações claras desde o início.
  2. NÃO AGENDE, RESOLVA JÁ A procrastinação se alimenta de tagarelismo mental. Quando você está enrolando, geralmente diz para si mesmo: "deveria estar trabalhando, sou um preguiçoso". Melhor cortar esses pensamentos e iniciar a tarefa imediatamente.
  3. CONCENTRE-SE Toda vez que se desconcentrar, evite lutar contra si próprio. Se escapou da tarefa, reconheça o fato e dirija sua atenção novamente ao trabalho. No computador, desative a opção de ligar automaticamente programas como o MSN. Faça a tarefa e, quando tiver um tempo, fique uma meia hora batendo papo.
  4. VEJA O LADO BOM Mesmo tarefas chatas têm seu lado divertido - lavar a louça, por exemplo, envolve brincar com a água. Concentre-se no que a tarefa tem de legal, que, assim, fica mais fácil encará-la.
  5. NÃO TENHA MEDO DE ERRAR Muitos procrastinam porque exigem tanto de si próprios numa tarefa que acabam com medo de enfrentá-la. O melhor é ter consciência de suas limitações e habilidades para o trabalho.

Para o psicólogo Piers Steel, porém, o que mais explica a procrastinação é o fato de valorizarmos muito mais o momento presente que a imaginação de um suposto futuro. Tanto que é muito mais fácil adiar tarefas que exigem tempo (acabam com o nosso tempo presente) e que resultam em recompensas pouco claras para um futuro distante. Muitos de nós evitamos ao máximo uma tarefa porque a conside­ramos chata, sem sentido ou no mínimo desconectada dos nossos interesses pes­soais. Assim, deixamos tudo para ama­nhã, nos entretendo com algo que cause um alívio mesmo que temporário. Por isso, um jeito de evitar a procrastinação é tornar as tarefas mais legais, se con­centrando no que elas têm de bom e na recompensa que ela traz se for realizada antes (veja o quadro ao lado).

Outra razão para trabalharmos em cima do prazo pode ser justamente ele: o prazo. Num mundo cheio de datas-limite para entregar trabalhos, a procrastinação sur­ge como uma espécie de luta entre o tem­po psicológico, estabelecido pelos nossos desejos, e o social, marcado pelo relógio.

Para o pesquisador Neil Fiore, autor do livro The. Now Habit ("O Hábito do Ago­ra", que as editoras brasileiras estão pro­crastinando para lançar em português), o melhor jeito de acabar com a enrolação é acabar com os prazos. Fiore não acha que enrolar seja uma doença, mas um indica­dor de saúde mental. Mostraria que algo precisa ser mudado no trabalho e na vida da pessoa. Ele propõe que aprendamos a arte de desagendar. Quer dizer: fazer as tarefas imediatamente ou se livrar do excesso de compromissos, criando perío­dos regulares de descanso sem culpa. Pa­ra Fiore, nada seria mais improdutivo do que um workaholic. Quem precisa passar muito tempo no escritório mostra que não trabalha direito. Ou que vive preso a outro tipo de agenda: culpa, insegurança, medo de não ser aceito socialmente. O problema é que, mesmo sem prazos, a procrastina­ção segue. É que, hoje, convivemos com aquela que provavelmente é a maior fer­ramenta de procrastinação da história da humanidade: a internet.

Com a internet, ficou irresistível não enrolar. Pelo computador, temos aces­so imediato e quase gratuito a uma in­dústria infinita de entretenimento. No meio do trabalho - muitas vezes impes­soal - e à distância de um clique, somos chamados a sociabilizar. Temos todo um universo no qual podemos criar persona­gens, dar opiniões e conhecer pessoas. É nesse ambiente que surgem os progra­mas de bate-papo, redes sociais (como o orfcut), blogs e sites de entretenimento rápido, como o YouTube. Diante de tanta coisa legal, fica difícil trabalhar, né?

Além disso, estamos mudando nossa percepção de tempo e de urgência. Há pouco tempo, tolerávamos esperar uma semana para receber uma carta. Hoje, demorar um dia para responder um e-mail parece uma eternidade. Será que a procrastinação e o sentimento de culpa derivado dela vão evoluir para níveis ca­da vez mais paranóicos? É melhor pensar nisso só amanhã.

PARA SABER MAIS

Links:

Livros:
  • The Now Habit - Neil Fiore, Tarcher, EUA.
  • Procrastination and Task Avoidance - Joseph Ferrari, Springer, 1995.

4 Palavras Amigas :

  1. Acho que sou "procrastinadora"
    sempre deixo as coisas pra última hora...deve ser um mau hábito..

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  2. Olá Emilie,

    Também sou uma procrastinadora.
    Não fique triste. Nem sempre é uma coisa ruim como diz no artigo!
    Grande beijo e seja bem vinda!

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  3. É...eu também sou uma procrastinadora. Obrigada por postar a matéria. As dicas são ótimas. Vou tentar colocá-las em prática o quanto antes...sem enrolar! rsrs



    Abraço!


    Se quiser, visite o meu blog. Por coincidência, também postei uma reportagem (coisa que nunca havia feito!) e acho que vc irá gostar do assunto...que de certa forma, tem um pouco a ver com este.
    ;-)

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  4. Excelente texto. Conteúdo enriquecedor, faz com que pesquisemos mais sobre o assunto. Quem sofre c/ isso como eu, por exemplo, q tô a ponto de procurar um profissional pra me ajudar, ficar meio q um pouco mais feliz por saber que ñ tá só. Vou procurar pelos os livros citados.
    Obrigado.

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